A tecnologia é feminina

Ainda que a passos curtos, a participação das mulheres no mercado da tecnologia tem crescido de forma significativa e gerado bons frutos nas áreas que a formam.

Há quem diga que a trajetória feminina no meio tecnológico tenha começado entre os anos de 1815 a 1852 – tempo de vida de Ada Lovelace, filha de Lord Byron, que foi uma matemática, escritora e responsável pelo primeiro algoritmo capaz de ser processado por uma máquina, no caso a máquina analítica de Charles Babbage.

Ada traz representatividade à área da programação, que é formada predominantemente por homens. É muito provável que, sem as criações de Lovelace, as máquinas demorassem muito mais para serem capazes de computar valores e realizar funções matemáticas. 

O número de mulheres à frente de trabalhos e cargos nos setores da tecnologia tem aumentado ano a ano. Segundo pesquisa realizada pela Agência de Recrutamento Revelo, a porcentagem de mulheres que ocupavam cargos em tecnologia passou de 10,9% (2017) para 12% (2020).

Dados levantados em 2020 pela empresa Thoughtworks, mostram que, em média, em 65% das empresas de tecnologia existentes no mundo, as mulheres representam, no máximo, 20% dos cargos em áreas tech – desenvolvimento, analista, gerência, projeto, teste e design.

Este número poderia ser maior? De acordo com a ATN (Associação Telecentro de Informação e Negócio) a resposta é SIM! 
Isso porque, segundo pesquisa feita por eles, cerca de 36 mil mulheres formadas na área buscam colocação no mercado de trabalho.

Já na pesquisa divulgada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima-se que, em 10 anos, a participação das mulheres em empresas e áreas relacionadas à tecnologia seja maior do que a participação masculina. 

Outro estudo realizado pela CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) mostra que no campo acadêmico as mulheres já representam 60% desse universo e, com isso, especialistas esperam que em breve haja uma crescente ocupação em cargos na área da TI.

A perspectiva é boa, mas nem sempre ingressar em um cenário onde a presença dos homens é predominante foi tarefa fácil – e continua longe de ser!

Conversando com as nossas hubbers, pudemos perceber como as dificuldades enfrentadas pelas mulheres continuam sendo frequentes e escancaradas, principalmente nos primeiros anos de carreira: “O meu primeiro emprego na área foi um estágio – que eu consegui através de um concurso. Eu fui a única mulher e a melhor colocada. Mesmo assim me colocaram para ser secretária do meu supervisor e não me passavam nada relacionado a minha área. 
No segundo lugar onde trabalhei, os colegas que tinham a mesma função que eu me tratavam como igual, mas aos olhos dos nossos superiores eu era subjugada, pois não me achavam capaz e não me valorizavam”, conta Ana Menezes, nossa Desenvolvedora. 

A Vanessa Rech, Analista de Requisitos da SCADAHUB, também relata ter vivido um início delicado na profissão e que, aos poucos, foi sendo revertido e reestruturado nas empresas por onde passou: ”No início da minha carreira foi bem desafiador. Eu percebia frequentemente um machismo velado em algumas situações (não todas tá! Encontrei muita gente bacana neste meio também). Por ser um ambiente predominantemente masculino, eu cuidava muito da minha postura, da vestimenta e até da fala com medo de gerar dupla interpretação.
Quando lecionei, percebi que na sala de aula era mais tranquilo, pois os alunos de início achavam peculiar, mas rapidamente “normalizaram” o fato de ser uma professora (mulher!). À medida que o tempo foi passando, eu fui percebendo o cenário mudar e as empresas passaram a adotar programas de incentivo à diversidade de gêneros e cultura. Nas escolas havia um movimento para trazer essa tecnologia para as jovens estudantes. Ainda se mantinha a predominância masculina nas salas de aulas e entre o grupo de professores da área técnica e nas fábricas, mas percebia que o clima já era outro.
Atualmente, estou inserida em um ambiente que valoriza a diversidade e, diferentemente do ‘sentir que se tornou normal ver uma mulher atuando na área técnica’, aqui é algo natural. O resultado disso é um clima de trabalho fantástico e um ambiente cheio de novas ideias oriundas de diferentes experiências e conhecimentos.”

Como podemos impulsionar a presença feminina neste setor?

A sororidade é um dos pontos mais importantes no que diz respeito à presença das mulheres em empresas de qualquer área, inclusive de tecnologia. Quanto mais apoio elas tiverem pela igualdade de gênero nas profissões e no salário, maiores serão as chances do mercado fomentar a movimentação feminina.

Ainda em conversa com as nossas experts, pela visão delas, o incentivo e a informação são as principais ferramentas para que o mercado da tecnologia (e tantos outros) tenham cada vez mais a participação ativa das mulheres e possam gerar ainda mais oportunidades nas mais distintas áreas. 

“Ainda escuto relatos de que não há confiança nas mulheres para desempenhar bem funções que antes eram predominantemente masculinas. Ouço colegas que, num passado não tão distante, tiveram que provar de forma mais árdua que são capazes de desempenhar tais funções ou ter cargos de confiança. 
Acredito que o que estamos fazendo aqui hoje é algo muito valioso, divulgar e mostrar essas mulheres e o quanto elas são capazes. Pois essa é uma forma de fazer com que outras pessoas e empresas percebam que as mulheres estão ganhando espaço, que elas são tão dignas de confiança e respeito quanto qualquer outro profissional e tentar desmistificar essas atitudes arcaicas que percebemos e que ainda são executadas, mesmo que de forma velada em alguns locais de trabalho.” – Taiane Ortiga, nossa Analista Administrativa e Financeira.

“Acho que precisamos de muito material de apoio e conscientização. Descobrir o que alguém passou e como ‘deu a volta por cima’ numa determinada situação é algo bom de saber. E que pode ajudar muitas outras mulheres.” – Ana Menezes.

O papel da SCADAHUB na inclusão das mulheres na tecnologia

A SCADAHUB sempre foi comprometida com a qualidade e a perfeição de suas entregas. Para isso, teve a honra de poder contar com o trabalho, conhecimento e participações diretas e indiretas de mulheres extraordinárias. 

É bem verdade que a presença feminina na empresa cresceu ao longo dos anos. Hoje, cerca de 50% do quadro de colaboradores é formado por mulheres, que estão na área de desenvolvimento de software, engenharia, administração, marketing, comercial e etc. 

Para Fábio Vieira, Diretor de Negócios da SCADAHUB, há poucos anos era muito comum a falta de profissionais mulheres no mercado de tecnologia. Mas, felizmente, com as constantes mudanças neste cenário, cada vez mais os cargos que antes eram quase que automaticamente preenchidos por homens, agora ganham comandos femininos. “O perfil de pessoa que se candidata para as nossas vagas mudou consideravelmente nos últimos 15 anos. Uma das mudanças mais significativas foi a crescente participação de profissionais mulheres em nossos processos seletivos para as vagas de tecnologia. O que em meados dos anos 2000 representava não mais do que 5% do total de candidatos, atualmente está em torno de 30%. Isto é claramente um reflexo do que está acontecendo nas universidades. É uma perspectiva bastante animadora para os próximos anos e representa uma importante evolução para nosso setor.”

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